quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Terminale (12° ano) - O Marcelismo

O MARCELISMO 1968-74

Nota : Resumo que poderá servir de pano de fundo para a orientação e plano do capítulo. Ver tb a Hist. Pt. de A. Reis e o vol. III de Oliveira Marques + Dic. Est. Novo, de F. Rosas + alguns blogs como noseahistoria podem tb encontrar resumos interessantes nos sitios anteriormente indicados.
Marcello Caetano, Presidente do Conselho
A “Primavera Marcelista” designa o período inicial do governo de Marcelo Caetano, entre 1968 e 1970, no qual se operou uma certa modernização económica e social e uma liberalização política moderada, criando a expectativa de uma verdadeira reforma do regime em Portugal, o que não chegou a acontecer. 

Por que falhou o marcelismo ? Era possível uma transição “do interior” do regime ? Foi o marcelismo um “salazarismo sem Salazar”?

Marcelo Caetano foi escolhido para suceder a António de Oliveira Salazar em Setembro de 1968, após este ter sofrido um acidente vascular cerebral que o impossibilitou de continuar a exercer o cargo de presidente do conselho de ministros . Tido com um “democrata”, veja-se o seu presurso político, Caetano, conservando embora no essencial o elenco governativo de Salazar, rodeou-se de representantes de uma nova vaga de tecnocratas, introduzindo alterações em diversos sectores:

Foi a “abertura” ou “Primavera Marcelista”, de 1968 – 1970:

Economia 

· Fim do condicionalismo industrial, abrindo-se o país ao investimento estrangeiro. 
· Lançamento de grandes obras públicas, tais como os do porto de Sines e a barragem do Alqueva. 
· Aproximação à então Comunidade Económica Europeia (CEE). 
· Desenvolvimento económico das colónias
· Aceleração da industrialização
· Nova legislação sindical
· Abertura ao investimento estrangeiro

Sociedade 

· Melhoria da assistência social. 
· Criação da ADSE para os funcionários
· Melhora da proteção social aos pescadores e trabalhadores rurais
· Ensaio de algumas propostas de democratização do ensino, lançadas pelo ministro da Educação Veiga Simão . 

Vida política interna 

· Dentro de um conceito de concessão de liberdade possível, registaram-se medidas de descompressão sobre as oposições legais ou semilegais, sendo autorizado o regresso de alguns exilados, como Mário Soares e D. António Ferreira Gomes, bispo do Porto. Autorizado também o III Congresso Republicano que reuniu a Oposição em Aveiro, vigiado e com repressão policial !
· Eliminação de algumas restrições à actividade sindical. 
· Abrandamento da vigilância dos serviços de censura, que se passou a designar por Exame Prévio. 
· Redução dos poderes da polícia política, que passou de Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) para Direcção-Geral de Segurança (DGS). 
· Abertura do próprio partido único de apoio ao regime — União Nacional, rebaptizado Acção Nacional Popular, em 1970 — à expressão organizada de opiniões divergentes, com a constituição da Ala Liberal, assumidamente reformista, de que faziam parte Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão e Mota Amaral, entre outros, e que viria a ter representação parlamentar. 
· A partir de 1969 concede-se o direito de voto às mulheres alfabetizadas
· A oposição teve direito de consulta aos cadernos eleitorais e fiscalização das mesas de voto, embora ineficaz
· Alguma oposição passa a ser semilegalizada

Política colonial 

· Prossecução da opção militar, rejeitando-se a via das negociações e a concessão de independências às províncias ultramarinas. 
· Na retórica do regime a defesa da continuação da guerra colonial era a da “proteção das populações brancas” e já não a “missão histórica e civilizadora” de Portugal.
· Os territórios de Angola e Moçambique deixam de ser “Províncias” passando a ser designados como “Estados”, recebendo tribunais, assembleias legislativas e governo
· Alterações significativas no discurso oficial, colocando a tónica na autonomia progressiva, subentendendo-se muito tenuemente uma tendência para aceitar independências brancas. 

A tentativa de legitimação da viragem política do regime foi feita através das eleições legislativas de 1969, tendo o governo demonstrado sensibilidade a algumas questões de direitos humanos: alargando o direito de voto; legalizando certos grupos oposicionistas (até aí apenas tolerados), sendo-lhes permitida a fiscalização de cadernos eleitorais e do próprio acto eleitoral; e abrandando a censura em época de campanha eleitoral .

A política de abertura de Marcello Caetano provocou reacções muito díspares em Portugal:
· No campo político afecto ao governo e ao regime houve clivagens, por vezes muito profundas, entre reformadores e integristas; 
· A oposição — tanto a legal, como a ilegal — também se fraccionou entre aqueles que aceitavam a liberalização como uma via genuína para a democratização do regime a médio e talvez mesmo a curto prazo e os que continuavam a olhar com desconfiança as novas políticas. 

     Em Abril de 1969, na cerimónia de inauguração do novo edifício das Matemáticas da nova Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, a recusa da palavra ao presidente da Associação Académica de Coimbra — acto que levou o presidente da República Américo Tomás a ser vaiado e o presidente da Associação Académica de Coimbra a ser preso —, provocou uma crise académica resultando numa série de greves, que se prolongariam até Setembro desse ano. Este acontecimento, juntamente com a continuação da guerra colonial e a recusa da adopção de reformas mais profundas sugeridas pelos deputados da Ala Liberal — que os levou a abandonar a Assembleia Nacional, indo vários deles fundar o jornal Expresso — e, mais tarde, a crise do petróleo de 1973 e a consequente subida generalizada dos preços, veio mostrar que as hipóteses de concretização do slogan do regime Evolução na Continuidade eram nulas, abrindo-se o caminho à Revolução dos Cravos em 25 de Abril de 1974.

1970 – 1974 ; endurecimento do regime:

     O governo inicia um violento ataque aos movimentos eleitorais entretanto constituídos como a CDE, Comissão Democrática Eleitoral (vasto leque que ia desde alguns elementos da esquerda comunista aos católicos progressistas) à CEUD, Comissão Eleitoral de Unidade Democrática (que incluía alguns dos fundadores do futuro PS).

Radicalização das oposições e opções armadas cada vez mais frequentes a que responde o aumento da repressão policial e as prisões, retomam as fugas do país.

A Questão colonial 

(ver o que atrás já ficou dito)
Marcelo Caetano, embora com relutância, lá vai começando a admitir o princípio de uma certa autonomia para as colónias, entretanto rebatizadas “Estados”, título pomposamente honorífico...e só isso.

A guerra prossegue. E, com ela, o isolamento internacional :
- Em 1970 o papa Paulo VI recebe os líderes dos movimentos independentistas 
- Manifestações de protesto aquando da visita de Caetano a Londres, 1973;
- A Guiné Bissau declara-se unilateralmente independente em 1973 e é reconhecida como tal pela ONU

Internamente,
- Movimentos de oposição à guerra, deserções e fugas
- Contestações estudantis
- Contestação de setores católicos progressistas
- Protestos da Ala Liberal
- A iminência de uma “derrota vergonhosa” é admitida pela alta hierarquia militar
- Demissão de Costa Gomes e Spínola
- Publicação de Portugal e o futuro

Como explicar que o livro de Spínola, lido por Costa Gomes antes de ser publicado, e lido pelo próprio Marcelo Caetano, tivesse sido publicado ?
Spínola na Guiné, a defesa do federalismo

Era o próprio regime que começava a ruir por dentro !!

ANEXO

Dicionário da História do Estado Novo – Fernando Rosas e J.M. Brandão de Brito 

MARCELISMO 

Designação atribuída ao período final do regime do Estado Novo, marcado pela acção de Marcelo Caetano como chefe do Governo (1968-1974), e que se caracterizou por uma tentativa falhada de auto-reforma das instituições. 
É possível distinguir duas fases principais neste período: uma primeira, 1968 até finais de 1970, de relativa abertura e criação de expectativas liberalizantes, num quadro institucional de instável equilíbrio de poderes entre o chefe do Estado e o chefe do Governo e num clima político de adiamento de escolhas essenciais para o futuro do regime; uma segunda,de 1970 até à revolução de Abril de 1974, de progressiva crispação repressiva, radicalização das oposições, e isolamento e degenerescência das instituições, em consequência do impasse colonial.
Com a substituição de Salazar por Caetano, o regime deixava, pela primeira vez, de obedecer a uma chefia única e incontestada,a de O. Salazar, para se dividir em dois pólos de poder: um centrado no chefe de Estado, o almirante Américo Tomás, homem de confiança dos sectores ortodoxos; o outro centrado no novo chefe do Governo, de há muito conhecido pelos seus propósitos reformistas. E enquanto o primeiro se esforçava por manter um controlo vigilante sobre as iniciativas do segundo, este último tentava ganhar espaço de manobra para ensaiar reformas institucionais, económicas e sociais no âmbito de uma teia de compromissos constantes com as principais forças de apoio ao regime, compromissos esses que a breve trecho se revelariam paralisantes. Assim, num primeiro momento, Marcelo Caetano procura, por um lado, serenar os sectores ortodoxos através da garantia da continuação de uma política de defesa da ordem interna e da integridade dos territórios ultramarinos, e, por outro lado, atrair a simpatia de sectores liberais e tecnocratas com alguns sinais de abertura política e o empenhamento numa via desenvolvimentista: era a «renovação na continuidade», nas suas próprias palavras. Deste modo gerava igualmente algumas expectativas no seio da oposição moderada, enquanto a oposição de esquerda, mais céptica, permanecia atenta à possibilidade de explorar em seu proveito qualquer eventual abertura efectiva. 
O abrandamento da censura, o regresso do exílio do bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, e de Mário Soares, a renovação da União Nacional, com a nomeação do liberal José Guilherme de Melo e Castro para a chefia da sua comissão executiva, e uma nova legislação sindical que dispensava da homologação ministerial as direcções sindicais eleitas, foram outras tantas medidas a suscitarem expectativas de abertura liberalizante, que a oposição democrática aproveitou para se reorganizar, promovendo em 1969 o II Congresso Republicano de Aveiro. Marcelo Caetano visava, em última instância, dotar-se de uma nova legitimidade por via das eleições legislativas* de Outubro de 1969, que plebiscitariam a sua liderança, conferindo-lhe um maior espaço de manobra. Porém, apesar da participação de várias personalidades liberais nas listas da União Nacional, o certo é que a campanha eleitoral decorreu com bastantes irregularidades e num clima repressivo e as eleições se processaram com base em cadernos eleitorais muito incompletos (27,7% do universo eleitoral), sem condições de igualdade para as candidaturas em presença e com dificuldades de fiscalização em muitos locais. A esmagadora vitória das listas da UN-ANP correspondia ao apoio de apenas 15% dos potenciais eleitores, dada também a abstenção de pelo menos 42,5% dos cidadãos recenseados. E enquanto a oposição se sentia defraudada e denunciava a «farsa eleitoral», os sectores ortodoxos do regime interpretavam os resultados como um plebiscito nacional à política de defesa do Ultramar. 
Caetano limita-se, assim, a aproveitar a oportunidade para fazer finalmente uma remodelação governamental que lhe permite reforçar a componente tecnocrática nas áreas económica e social, sem ousar ir mais longe na assunção do poder, temeroso ainda da força dos «ultras» do regime e manietado pelo impasse colonial. 
O reformismo marcelista manifesta-se então nas políticas de planeamento económico e desenvolvimento industrial, com João Salgueiro e Rogério Martins, de trabalho e segurança social, com Baltasar Rebelo de Sousa e Silva Pinto, e de ensino, com Veiga Simão. 
Joga-se a fundo na integração europeia, na modernização tecnológica, na liberalização concorrencial e no planeamento económico, contra os velhos proteccionismos e o mito do «mercado único português»; na flexibilização do espartilho corporativista com o estímulo a estruturas sindicais e empresariais mais fortes, de forma a Impulsionarem o crescimento e os aumentos de produtividade das empresas, contra a malha repressiva tradicional, co-responsável pela estagnação e pelo atraso económico; numa reforma do ensino inovadora nos métodos e nos programas, na estrutura curricular, no alargamento da escolaridade e do sistema universitário, contra o imobilismo pedagógico. 
Já no plano político-institucional, a acção dos novos deputados liberais, como Pinto Leite, Sá Carneiro, Miller Guerra, Pinto Balsemão, Magalhães Mota, a dita “Ala Liberal”,esbarra com a oposição persistente da ortodoxia do regime e do próprio ministro do Interior, Gonçalves Rapazote, que mantém intactos os mecanismos repressivos e particularmente a estrutura e os métodos da polícia política, agora apelidada de Direcção-Geral de Segurança . 

E nas chamadas «conversas em família» que o presidente do Conselho apresenta na RTP, a tecla da continuidade começa a sobrepor-se claramente à tecla da renovação. 

Nos finais de 70, a balança começa a pender decisivamente para o prato do imobilismo. O poder marcelista é cada vez mais o lugar do vazio, espartilhado entre os dogmas dos «ultras», a incapacidade de encontrar uma solução para a questão colonial e as pressões dos grandes grupos económicos, que procuram ditar a sua lei. 
A revisão constitucional de 1971 acabará, assim, por ignorar todas as propostas apresentadas pela «Ala Liberal», mantendo os traços essenciais do regime, apesar de algumas modificações formais, como a atribuição da designação de Estados às províncias ultramarinas. E a própria Lei de Imprensa, que tantas esperanças suscitaram, nada de substancial alterou ao regime de censura prévia até aí vigente. Acentua-se, ao mesmo tempo, a repressão sobre o movimento estudantil e o movimento sindical, bem como sobre o cooperativismo cultural. Os sectores liberais, em aliança com franjas moderadas da oposição democrática, tentam ainda a sua cartada com a criação, em Novembro de 1970, da Sociedade de Estudos para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES), logo apelidada de «cavalinho de Tróia» pelo deputado salazarista Casal-Ribeiro. 
O grosso da oposição democrática irá, porém, denunciar o «fracasso do reformismo» marcelista num manifesto difundido em Maio de 1972 e encara com simpatia as primeiras acções de violência armada da Acção Revolucionária Armada (ARA) e das Brigadas Revolucionárias, ligadas à dissidência de esquerda que se apossara da Frente Patriótica de Libertação Nacional em Argel. 
Em Agosto de 1972, Caetano perde a derradeira oportunidade de se assenhorear do poder, neutralizando os «ultras» do regime, ao renunciar à possibilidade de fazer eleger presidente da República uma personalidade que o apoiasse no esforço reformador. Ao aceitar a reeleição de Tomás, assina a sua definitiva capitulação, que precipita o rápido processo de degenerescência final do regime . De nada valerão as tentativas de revitalização da Ala Liberal , na perspectiva das eleições de 1973, com o objectivo de a transformar numa «associação cívica de massas». A «Ala Liberal» abandonara entretanto a Assembleia Nacional e fazia do novo semanário Expresso, fundado e dirigido por Pinto Balsemão, o seu principal órgão de intervenção. Nele se chegou a defender a criação de uma «terceira força» entre o regime e a oposição tradicional de esquerda, com base em sectores sociais «incipientemente politizados» e «pragmáticos» e nos desiludidos dos extremos colocados em «pontos estratégicos» da vida pública. 
O encontro político organizado com esse fim em Julho de 1973 não teve, porém, qualquer sequência, dado o clima político cada vez mais radicalizado que então se vivia, mesmo nos sectores católicos, como ficara provado com o célebre caso da “vigilia da Capela do Rato”.
O próprio Caetano apelidará de «ingénuos» os partidários de terceiras vias (discurso de 24.6.1973), para um mês depois reconhecer em entrevista a uma revista estrangeira que decidira pôr «um travão ao processo de liberalização em Portugal» (18.7.1973). 
As eleições de Outubro de 1973 decorrerão, por conseguinte, nos moldes habituais, com a diferença de a oposição se mostrar desta vez bem mais unida, o clima intimidativo supera o de 1969. A partir do Verão de 73, porém, surgem os primeiros sinais visíveis do profundo descontentamento que começara a lavrar no seio dos quadros intermédios das Forças Armadas. Está na forja o Movimento dos Capitães. A conjunção entre a contestação ao imobilismo da política colonial do marcelismo e reivindicações de carácter profissional revelar-se-á explosiva. Nem a cedência a estas últimas com um concomitante aumento de vencimentos, no princípio de 1974, conseguirá suster a movimentação em curso, cuja dimensão política se toma então cada vez mais evidente. A publicação, com o beneplácito do general Costa Gomes , chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, do livro Portugal e o Futuro do general António Spínola , com a defesa de teses federalistas para a solução da questão colonial, acentua o isolamento do governo de Caetano em relação às Forças Armadas. O presidente do Conselho, sentindo-se acossado, num primeiro momento chega a propor a entrega do poder àqueles dois chefes militares, que, prudentemente, o recusam. 
Tenta então um endurecimento de posições, mobilizando as instituições e a hierarquia militar em seu favor. A 11.3.1974 comunica ao presidente da República o apoio da ANP. Três dias depois é a vez dos oficiais generais dos três ramos das Forças Armadas manifestarem o seu apoio ao Presidente da República, com excepção do CEMGFA e so seu vice, Costa Gomes e Spínola, que são de imediato demitidos das suas funções. 
No dia seguinte nomeia novos ministros para as pastas económicas numa tentativa de contrariar os preocupantes índices económicos do último ano, com a taxa de inflação a rondar os 30%. E a 16, o Governo consegue fazer face à primeira tentativa sediciosa de oficiais ligados ao Movimento dos Capitães. O regime estava, porém, já ferido de morte. A própria Igreja Católica dava sinais de afastamento crítico. O poder marcelista era um poder com pés de barro. A revolução que o derrubaria e, com ele, o próprio regime, estava à porta. 

Em síntese, podemos afirmar que a guerra colonial não só acabou por impedir uma evolução liberalizadora e controlada das instituições, como conduziu o regime ao seu suicídio político, abatido que foi pelo seu próprio braço armado. 
Caetano não soube ou não conseguiu ultrapassar o impasse colonial, apesar da demarcação que ainda ensaiou relativamente às teses integracionistas assentes num patriotismo místico-geográfico (Portugal do Minho a Timor) e no mito do «mercado único português». Como resumiu Sottomayor Cardia, e apesar de alguns êxitos obtidos nos domínios económico, social e educativo, o marcelismo não conseguiu ser mais do que «um salazarismo disfarçado que rapidamente se tornou salazarismo desorientado» (Salazar, Abril e o Presente, 1985).

PS: fiz aqui ligeiras correções e/ou esclarecimentos;

Autor: LI ; Sp ; 12°/Tale, L F P, base Wikipédia

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Genesis, por Sebastião Salgado

A decorrer na Maison Européenne de la Photographie, em Paris (rue de Fourcy, Paris IV)...
A exposição do artista brasileiro Sebastião Salgado, intitulada Genesis, relata atravès do prisma fotográfico o nosso planeta, a sua beleza, as suas fragilidades também. Até ao dia 05 de janeiro de 2014...



quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Efemérides da História Lusófona: #4 A proclamação da República Brasileira (15 de novembro de 1889)

– Antecedentes –

     No dia 15 de novembro de 1889, o regime monárquico imperial é derrubado no Brasil instaurando a Primeira República.
A última fotografia da família imperial brasileira, por Otto Hees, 1889.


     Nos anos que antecederam este momento revolucionário, o clima político fora propício a este acontecimento. A governação de D. Pedro II, imperador do Brasil, está em boa parte na origem da crise política que se instala. Por um lado, não tivera descendentes masculino o que colocava a sucessão ao trono nas mãos da sua filha, D. Isabel. Casada com um príncipe francês, Gastão de Orleães, conde d’Eu, e neto do rei de França Luís Filipe, temera-se que o trono brasileiro passasse para as mãos de estrangeiros. Por outro lado, o descontentamento crescia na população. Durante a Guerra do Paraguai (1864-1870), muitos escravos tomaram parte no conflito nas fileiras dos exércitos da Tríplice-Entente (Brasil, Argentina, Uruguai). Uma vez o conflito findado temia-se, por pressão dos antigos amos, que voltassem à sua antiga condição servil. A guerra, devido aos seus elevados custos financeiros, agravou também as dificuldades financeiras sentidas pelo Brasil no final do século XIX, com uma inflação acrescida que deteriorava as condições de vida dos brasileiros, em particular das classes médias. A 13 de maio de 1888, a Lei Áurea decreta o fim da escravatura em terras brasileiras. Na esperança de alcançar indemnizações, os antigos esclavagistas aderem à causa republicana, fervente opositor ao regime monárquico.
     O contexto político, social, económico, mas também religioso com profundas divergências entre a instituição clerical e o poder político, abre as portas a transformações drásticas no Brasil.



– O golpe militar –
     Sob o comando do Marechal Deodoro da Fonseca, o golpe de estado inicia-se. O quartel-general do Rio de Janeiro, assim como o Ministério da Guerra, são ocupados sem grande resistência. Os destacamentos ali presentes, chefiados pelo general Floriano Peixoto, recusam-se a disparar sobre os insurrectos. No seguimento, e já na tarde de 15 de novembro, o Marechal Deodoro da Fonseca proclama, no Rio de Janeiro, a Primeira República Brasileira (apelidada de “República Velha” em oposição ao período republicano seguinte, a “República Nova”). O momento solene tem lugar na Praça da Aclamação (atual Praça da República no Campo de Santana).
A proclamação da República, por Benedito Calixto, 1893, Pinacoteca Municipal de São Paulo.


– Os símbolos do novo regime –
     No seguimento da proclamação, é organizado um governo provisório chefiado por Deodoro da Fonseca. E escolhida uma primeira bandeira nos moldes do estandarte dos Estados Unidos mas que, no entanto, irá permanecer durante quatro dias. No dia 19 de novembro de 1889, surge o atual estandarte (atualizado várias vezes desde então com o acréscimo de várias estrelas referentes aos novos Estados federais). Este dia de 19 de novembro é conhecido, no Brasil, como do Dia da Bandeira.
Bandeira da República Brasileira de 15 a 19 de novembro de 1889.

     É também composto um hino republicano celebrando a proclamação da República (o qual fora inicialmente pensado como hino nacional brasileiro).

Hino à Proclamação da República (1890)
Letra: Medeiros e Albuquerque
Música: Leopoldo Augusto Miguez
Seja um pálio de luz desdobrado.
Sob a larga amplidão destes céus
Este canto rebel que o passado
Vem remir dos mais torpes labéus!

Seja um hino de glória que fale
De esperança, de um novo porvir!
Com visões de triunfos embale
Quem por ele lutando surgir!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

Nós nem cremos que escravos outrora
Tenha havido em tão nobre País...
Hoje o rubro lampejo da aurora
Acha irmãos, não tiranos hostis.

Somos todos iguais! Ao futuro
Saberemos, unidos, levar
Nosso augusto estandarte que, puro,
Brilha, avante, da Pátria no altar!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

Se é mister que de peitos valentes
Haja sangue em nosso pendão,
Sangue vivo do herói Tiradentes
Batizou este audaz pavilhão!

Mensageiros de paz, paz queremos,
É de amor nossa força e poder
Mas da guerra nos transes supremos
Heis de ver-nos lutar e vencer!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

Do Ipiranga é preciso que o brado
Seja um grito soberbo de fé!
O Brasil já surgiu libertado,
Sobre as púrpuras régias de pé.
Eia, pois, brasileiros avante!
Verdes louros colhamos louçãos!
Seja o nosso País triunfante,
Livre terra de livres irmãos!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!




























Alegoria da República, por Manoel Lopes Rodrigues, 1896, Museu de Arte da Bahia.
A atual configuração dos Estados federados na bandeira brasileira.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

História 3ème/1ère - Estudo de obra: "A Guerra" - Otto Dix

Estudo de uma obra de arte: A Guerra, de Otto Dix

Tema: A Primeira Guerra Mundial

A Guerra, de Otto Dix.
Pintura a têmpera, suporte de madeira (1929-32);
painel central: 204 X 204 cm, painéis laterais 204X 102cm.
Museu de Belas Artes de Desde, Alemanha.

DESCRIÇÃO PORMENORIZADA:
Soldados a caminho da frente de batalha
Campo de batalha destruído, carnificina, a “terra de ninguém”, um só soldado escapa usando uma máscara.
Regressando da frente, um sobrevivente (O.Dix, autoretrato) trazendo feridos.
Soldados mortos, como num caixão. O painel de baixo dá aos mortos o repouso e a sepultura que os combates negam.
Bubões, referência à peste negra e ao quadro de Jerónimo Bosch, A tentação de Santo Antão, séc. XV.


Otto Dix deixa ver aqui a influência dos trípticos religiosos da Idade Média.
Tríptico dos Sforza, de Rogier Van der Weyden, meados do séc. XV

PROBLEMÁTICA: Como é que o artista nos transmite a ideia da “violência de massa ?”

1. Biografia :
Otto Dix,1891-1969, pintor alemão influenciado pelo expressionismo; participou na Primeira Guerra Mundial e combateu na frente de batalha, nas trincheiras, em França, e na frente oriental, sendo pois um testemunho direto e ocular. Traduziu essa experência combatente nos seus trabalhos. A partir de 1919, a sua obra começa a mostrar aspetos antimilitaristas e de recusa da guerra. Com a chegada dos nazis ao poder, a partir de 1933, os seus trabalhos são considerados “degenerados” e proibidos. Conhece a consagração, nacional e internacional, depois de 1945. 

2. Vocabulário:
Expressionismo: Movimento artístico nascido na Alemanha no início do séc. XX onde a preocupação maior é a intensidade da expressão, opondo-se assim ao impressionismo; os artistas exprimem as suas emoções através dos temas escolhidos e das cores. Além da pintura, esta corrente estende-se também à música, literatura ou ao cinema, em particular nos anos vinte (os “loucos anos 20”!) e numa Alemanha vencida e humilhada pela derrota na Grande Guerra. 
Têmpera: Técnica bastante antiga que utiliza uma cor algo diluida com água, que se vai tornando mais espessa com a adição de goma ou ovo. 
Retábulo: Pintura sagrada em voga sobretudo na época medieval. Otto Dix terá sido influenciado em particular por Matthias Grünewald e o seu retábulo de Issenheim (1512-1516; Museu de Unterlinden, Colmar). Pretende-se assim dar um dimensão quase sagrada com a morte e a degradação dos corpos omnipresente. 
Tríptico: Pintura em três partes, com um painel central fixo e dois laterais que se podem fechar; pode apresentar um painel inferior: a pradela. 

3. Técnica:
Tríptico inspirado pelos retábulos medievais. Usa a têmpera que permite uma melhor representação das transparências. O artista efetuou uma longa preparação com desenho a lápis, uma primeira versão a aguarela e alguns cartoons

4. Mensagem
Versão contemporânea do sofrimento humano, a guerra, através do martírio dos soldados. A precisão e os detalhes mostram o horror da guerra e dão uma ideia quase irreal da mesma, acentuando o seu aspeto atroz e absurdo. 
Uma hipótese de interpretação do quadro frequentemente avançada é a de um ciclo sem fim no qual a obra fecharia os soldados e os espetadores: partida/combate/regresso/repouso/partida/combate/regresso/repouso/partida /... 

5. Questionário
Observando atentamente o quadro de Otto Dix, responda de forma breve às seguintes questões .


a) Apresente a obra. 

b) Quando foi realizada a obra? Que período evoca? 
c) Descreva as diferentes partes do tríptico. Mostre que a pintura reflete a experiência do seu autor. 
d) Qual é a mensagem que o artista nos quer transmitir?

e) Como é que esta obra nos mostra a violência da guerra?
Os efeitos do gás
Gassed, de John Singer Sargent, 1919
Combates no alto do Hartmannswillerkopf, de F.Ch. Baude
f) Descreva o quadro de Jonh Singer Sargent
g) Que ideia lhe é dada pelo quadro de F. Ch. Baude?
i) Compare a obra de Otto Dix com as duas outras aqui sugeridas.


Alô Brasil! Aquele abraço...

Aqui vamos nós atravessar novamente a imensidão do Oceano... Até junho!

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Visita de Estudo: 6ème PMC

A turma de 6ème PMC juntamente com a prof. de Língua Portuguesa, Carla Lourenço, a Sra. Vanda Lopes (mãe da aluna Inês Ferreira), que gentilmente nos acompanhou, e a Sra. Maria Marques, funcionária do museu e mãe do aluno Lucas Marques. Ah, e também o prof. de História, Miguel Guerra, a fazer de fotógrafo...

     Na segunda-feira, 04 de novembro de 2013, os alunos da turma de 6ème do Collège Pierre et Marie Curie, de Le Pecq, visitaram o Museu de Arqueologia Nacional, em Saint Germain-en-Laye. A visita consistiu na descoberta do espólio do museu referente aos períodos pré-históricos do Paleolítico e do Neolítico.


O castelo de Saint Germain-en-Laye onde se encontra sediado o museu.

     Segue um resumo da visita...
Atentos às explicações da guia do museu...

– O PALEOLÍTICO (2,9M - 11 000 a.C.) –

     O Paleolítico, a Antiga Idade da Pedra ou ainda a Idade da Pedra Lascada, corresponde ao período inicial e ao mais longo da era do Quaternário. O termo foi criado em 1865 e baseia-se na existência de utensílios de pedra lascada. Na Europa, podemos dividi-lo em três períodos: Inferior, Médio e Superior. 


Homo habilis, o primeiro hominídeo

     O início do Paleolítico coincide com o aparecimento do Homo habilis, o primeiro representante da espécie humana, que viveu em África entre 2,5 e 1,3 milhões de anos. Estes homens, instalados nas margens de rios ou de lagos, alimentavam-se de vegetais que recolhiam e de animais que caçavam, eram caçadores-recoletores.


Homo erectus, o primeiro europeu
     Entre 1,8 e 0,7 milhões de anos, o Homo erectus, sucessor do Homo habilis, conquista pouco a pouco todas as regiões temperadas da Terra (África, Ásia, Europa). O clima alterna períodos frios e temperados e é nesta altura que aparecem os primeiros instrumentos simétricos, os bifaces, produzidos através de uma técnica de fabrico que irá permanecer durante longos milénios. A lascagem consiste no desbastamento de um bloco de pedra, o núcleo, através da percussão com outra pedra ou osso, o percutor. Os bifaces são os instrumentos dominantes na cultura acheuliana (do nome da aldeia de Saint-Acheul, no norte de França). O aperfeiçoamento desta técnica permitiu a produção de instrumentos cada vez mais precisos como raspadores e pontas de azagaia.

O Homem de Neandertal e o Paleolítico Médio (200 000 - 40 000)
     Este hominídeo, que surge há cerca de 200 000 anos durante o Paleolítico Médio, povoou grande parte do continente eurasiático, inclusivamente as zonas montanhosas como os Alpes e os Pirenéus, assim como as regiões glaciares nórdicas. Por volta de –90 000 anos, uma nova etapa é alcançada já que surgem as primeiras preocupações não utilitárias; o Homem de Neandertal, tal como o homem moderno, sepulta os seus mortos. Os vestígios deixam crer que eram praticados rituais e que existiam crenças complexas em torno da morte.
Raspadores em sílex

Homo sapiens sapiens e o Paleolítico Superior (40 000 - 11 000)
     O homem moderno, Homo sapiens sapiens, viveu grandes alterações climáticas que alternaram períodos de frio intenso, com diversas glaciações, e períodos temperados, dando origem ao aparecimento de uma densa vegetação. Durante o período mais intenso da glaciação, o nível do mar encontrava-se cerca de 120 metros abaixo do nível atual. As técnicas de lascagem, cada vez mais perfeitas, permitem o fabrico de utensílios diversificados para tarefas distintas: lâminas e facas, para despedaçar e talhar a carne; raspadores, para trabalhar as peles e as madeiras; buris e furadores, para o trabalho do osso e das pedras mais macias, permitindo fabricar agulhas para a confeção do vestuário em peles, arpões para a pesca, etc.; pontas de azagaia e de lança, usadas na caça.
     Grande parte dos animais caçados pelo Homo sapiens sapiens permanece, na atualidade, no continente europeu. Renas, cavalos, bisontes, antílopes, camurças (ou cabra-montesa), mas também espécies desaparecidas como o auroque, o mamute ou ainda o rinoceronte-lanudo, constituíam a caça predileta e a principal fonte de alimento para estes homens. Estes grupos de caçadores-recoletores eram nómadas, seguindo a migração dos animais (renas, cavalos), procurando recursos sazonais (vegetais, pesca do salmão), mas também pela necessidade de se encontrar com outros grupos humanos para trocar bens ou participar em tarefas rituais. Para além dos vegetais, outras matérias são coletadas como o sílex, uma pedra muito dura e cortante, e os seixos, nos leitos dos rios.
     O habitat destes homens não era sempre o mesmo, vivendo em cavernas (como na gruta de La Madeleine, na Dordonha) mas também ao ar livre. Os acampamentos eram temporários, utilizados durante várias semanas ou durante uma estação. Nas planícies do norte e do leste da Europa, os acampamentos são regra, construindo-se cabanas em madeira. Nas regiões mais amenas da Europa ocidental, os acampamentos são organizados em torno da fogueira que serve para cozinhar os alimentos, alumiar-se, aquecer-se, aperfeiçoar o fabrico de certas armas e utensílios.
     Neste mundo povoado de animais, o homem vive em comunhão com a natureza e sente a necessidade de expressar essa união através diversas representações simbólicas. Foram descobertas pelos arqueólogos numerosas estatuetas de cavalos, ursos, leões, mamutes assim como objetos decorados com figuras animais (propulsores de azagaias, bastões), mas as gravuras e pinturas rupestre (arte parietal) foram, sem dúvida, as mais grandiosas representações executadas pelos homens do Paleolítico Superior. Em contrapartida, a figura humana teve uma representação secundária.
Propulsor para azagaias

     O homem do Paleolítico Superior preocupa-se cada vez mais com a morte; os arqueólogos encontraram vários vestígios de sepulturas contendo, por exemplo, o esqueleto de uma criança adornada com um colar de contas e conchas. Os corpos são enterrados no próprio habitat. Os cultos e rituais em torno da morte são diferentes em função da região, no entanto, é possível afirmar que a preocupação com a morte é constante nestas comunidades humanas.
A famosa Vénus de Brassempouy, também conhecido como Dama do capuz

– O NEOLÍTICO (11 000 - 3 000 a. C) –

     O Neolítico, a Nova Idade da Pedra, é conhecido também por a Idade da Pedra Polida, devido à nova técnica de produção de instrumentos então desenvolvida: o polimento. No entanto, este período caracteriza-se sobretudo pelas grandes transformações económicas e sociais que sofreu, num período também apelidado de Revolução Neolítica.
Pedra de polimento


As inovações técnicas

     O polimento da pedra transformou a vida das comunidades humanas, permitindo usar outras pedras para além do sílex e criar outro tipo de instrumentos como o machado e a enxó. Estes dois utensílios com pedra polida, usados no trabalho da madeira, surgem com o aparecimento das florestas europeias que se desenvolvem com o fim do período glaciar. Para abater as grandes árvores que florescem pela Europa são necessários utensílios robustos e sólidos.

     O aparecimento da cerâmica é o resultado da primeira utilização técnica do fogo. A produção de vasos de terracota é feita no solo em pequenos buracos onde a temperatura atinge os 800ºC. Suportando o contacto do fogo, a cerâmica vai alterar os hábitos alimentares das comunidades humanas (sopas e papas cozem longamente nas brasas).
Utensílios neolíticos em cerâmica

     A tecelagem é outra das atividades artesanais (com a cerâmica e a cestaria) que caracteriza o período neolítico. Porém, chegaram até nós poucos vestígios (alguns fragmentos de tecido, solas de sapatos em corda). Os utensílios usados são mais frequentes: pesos de teares, pentes de cardagem, agulhas.

Uma nova economia
     A caça e recoleção continuam a ser atividades importantes no quotidiano das comunidades neolíticas, porém, é adotada uma economia de produção com o aparecimento da agricultura e da pastorícia. As práticas alimentares transformam-se radicalmente. Cultivam-se plantas gramíneas como a cevada e o trigo, assim como legumes como a ervilha e a lentilha. Essas primeiras culturas surgem no Médio Oriente, na região do Crescente Fértil. Os vestígios arqueológicos revelaram um grande número de mós manuais e de lâminas de foices. Os grãos eram armazenados em silos escavados na terra ou em grandes cestos de vime. 
A criação de ovelhas e cabras, vindas do Médio Oriente, de vacas e de porcos fornece carne para a alimentação. Mais tarde, são aproveitados o leite, a lã ou ainda a força de tração destes animais. O cavalo será domesticado nos finais do Neolítico tal como o fora o cão durante o período paleolítico.

Aldeamentos, especialização e trocas
     Os primeiros aldeamentos são constituídos por uma dezena de casas concebidas para durar. Estas habitações eram fabricadas em madeira e taipa (mistura de palha e argila), por vezes com fundações em pedra.
Com a sedentarização, os homens especializam-se em certas atividades. Assim sendo, precisam de obter o que já não têm tempo de fabricar através da troca com o que produz em excesso: por exemplo, lâminas em sílex originárias do centro de França foram descobertas pelos arqueólogos na Suíça e na Holanda! 

Venerar os mortos
     A cada aldeia, o seu cemitério… Com o sedentarismo, as necrópoles surgem ao lado dos aldeamentos. Num primeiro tempo, a sepultura é individual: o defunto é acompanhado de alguns objetos funerários como colares, vasos e utensílios de pedra. A partir do 4º milénio a. C., em toda a fachada atlântica da Europa (desde as ilhas britânicas até à Península Ibérica e Portugal) surgem imponentes monumentos de pedra, os megálitos. No entanto, poucos são os que tinham o privilégio de serem sepultados em antas ou junto de menires, por isso pensa-se que estava reservado a pessoas importantes nas comunidades. A partir do 3º milénio, as sepulturas individuais voltam a ser mais numerosas, o que deixa pensar que começam a estabelecer-se diferenças sociais em função da riqueza e da influência dentro dos grupos humanos.
Esqueleto feminino com adornos

Arte e religião

     É extremamente difícil entender o pensamento religioso destas comunidades humanas tendo em conta que não conhecem a escrita. Contudo, foram descobertas estatuetas em terracota, pedra ou osso que reproduzem a figura humana e, em particular, a mulher. A omnipresença da natureza na vida do homem levam-no a criar divindades ligadas aos seus ciclos (dia e noite, estações do ano). Por isso, a fecundidade da mulher e dos solos são frequentemente associadas.


– ALGUMAS PERGUNTAS PARA AVALIAR... –

1. Que outro nome é dado ao Paleolítico, a Antiga Idade da Pedra?
2. O que permitiu o domínio do fogo (3 exemplos)?
3. Para que servia o propulsor?
4. Que hominídeo corresponde ao homem atual?
5. Que outro nome é dado ao Neolítico, a Nova Idade da Pedra?
6. Que atividades artesanais foram descobertas durante a Revolução Neolítica?
7. Que nome damos à economia do período neolítico?
8. Que nome damos às grandes construções funerárias em pedra do Neolítico?


terça-feira, 5 de novembro de 2013

Ciné Club: O Cônsul de Bordéus

     Na próxima sexta-feira, o Ciné Club do Lycée International projeta o filme dos realizadores Francisco Manso e João Correia, «O Cônsul de Bordéus», com Vítor Norte, João Correia ou ainda Leonor Seixas nos papéis principais. Em forma de introdução, a projeção será apresentada pelo prof. Miguel Guerra.
Sexta-feira, 08 de novembro de 2013, pelas 17h15, no anfiteatro do "Château d'Hennemont".